sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A NOVA PARTE


Durante algum tempo desenhei coração no meu caderno. Às vezes um, somente. Noutras, dois, três, um conjunto divertido no canto da página. Traçava-o com olhar distante, de quem quer pedir algo à vida. Ele era vermelho, redondo e enooorme. Porém, havia nele algo não notável em um coração comum. Era um coração ao meio, ou seja, metade, uma parte...

Por ser metade, era incompleto.
Por ser idealizado, era imperfeito.
Por ser limitado, não conseguia demonstrar o quanto tinha que ser infinito.

Desenhei-o de várias formas e tamanhos. Preenchi seu único lado com cores vibrantes, tons escuros e sombreamentos internalizados. Ele levou sempre uma personalização do momento que eu passava. Ora maior, ora menor, mas sempre faltando um pedaço.

O tempo foi passando e lá estava a marquinha registrada nas minhas anotações. Viver sem aquele coração ao lado era como uma anulação de um propósito, de um objetivo.

Um dia abri os olhos e senti uma pulsação desse coração. E, por um milagre, sua outra parte surgiu,
completando-o.
Completando-me.

Como nunca o tinha visto completo, tampouco acreditei que ele pudesse, de fato, pulsar...

E, ao desenha-lo na agenda, surgiu:
"TUM TUM..."

6 comentários:

jorge manuel brasil mesquita disse...

as agendas ao serem abertas são, por vezes, portas de pusações que não se escrevem. Sentem-se. Fluem como o sangue despertador que nos indica a hora de nos acordar e de acordar nos outros ou nesse outro especial, o vendaval que marca o ritmo dos tambores que são a linguagem que todos os corações reconhecem, em algum lugar, em algum tempo.

biblioteca de oeiras, 12/12/2009 - jorge Brasil mesquita
www.fisgasdotempo.blogspot.com

Ricardo Arias disse...

O coraçao revelador (con permiso de Poe)...

jo ra tone disse...

...Tornou-se um coração cheio de vida.
Beijo

heretico disse...

um encanto. de corações

beijo

Vieira Calado disse...

Com alguma antecedência

Venho desejar-lhe

UMA FELIZ QUADRA NATALÍCIA.

Beijinho

Fernando Amaral disse...

"Meu coração... não sei porque..."