quarta-feira, 14 de outubro de 2009

ADIANTE...

Quanto ao fato de querer algo maior, isso é o que me impulsiona em nós.
Longe de mim pensar somente em um ponto lá na frente, mas preciso sonhar.
Quero ser a mulher objetivamente sentimental, traduzir meus desejos em forma de percepção e alcance. Na maioria das vezes, talvez, nunca tenha sido tão direta, mas o que me faz ser quem sou é a intensidade do que quero hoje, e do que deixarei em você amanhã...

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

NÓ CEGO

Preciso ir fundo no oceano de mágoas e perdas. Minhas limitações já não são as mesmas de dez anos atrás, e minha proteção se vai em cada aniversário maldito.

Naquele profundo do ser, alimento minha alma com as sobras de tudo. Ou de nada. Ao mesmo tempo que meu oxigênio se esvai dos pulmões, sinto-me descer no mais gélido e terrível subterfúgio da alma.

Afundo.

Não quero subir e, se mesmo eu quizesse, já não daria tempo pra alcançar o pôr do sol.

Tarde demais para mim.

Até onde o peso do meu corpo me levará? Está escuro demais para direcionar meus pés e a minha mente só consegue ouvir aquele zunido de fim, de nada, de zen...

Afundo...

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Ganhei esse selinho da minha mais nova companheira de blog, Graziela, do blog traduzindoparaomeuhebraico.blogspot.com.

Nas regrinhas que o acompanham, preciso citar três coisas que me levariam para o divã, e nomear cinco merecedores do selinho.

1)- A primeira coisa seria a minha relação familiar. Amo muito alguns poucos da minha família. Não sei porquê, mas acredito que a maioria dos meus parentes (isso deve acontecer nas melhores famílias) são intrometidos, folgados e interesseiros.

2)- A segunda coisa seria a minha forma de pensar sobre determinadas coisas. Sou cruel e justa, me cobro muito, e isso me deixa confusa ao tomar decisões ao meu favor.

3)- A terceira coisa seria a minha relação espiritual. Estou "brigada" com Deus faz algum tempo e isso tem afetado a minha maneira de pensar sobre a morte.

Eis aqui cinco blogs que repasso o selinho e convido a sentar no divã...

terça-feira, 8 de setembro de 2009

SENTADA NO CHÃO...

A mudança de uma cômoda para outra foi o bastante para me concentrar em mim.

Dias de faxina e arrumação são bem tortuosos. É um tal de tira daqui, transfere para lá, levanta poeira, separa pilhas e pilhas de livros... Afff!!!

Mas, de certo modo, isso parece-me ser bem relevante hoje...

Precisava desfazer-me de uma sensação desconfortante que me seguia em duas semanas. Cresci e encolhi em exatos quinze dias de um estresse que não planejei. E, ali, estava o meu passado transformado em brinquedos e recordações.

Tirei todas as peças de uma casinha que construiu meus sonhos durante meus oito anos de idade. Naquela casinha, os móveis eram coloridos e haviam muitos bonequinhos a quem eu podia chamar de amigos. Lembrei de como adorava deitar no chão, e dividir minhas histórias com eles.

Tirei o pó do playmobil de escolinha, que, por muito, me faziam entender a verdadeira arte de estudar. Ainda me lembro o que cada Lego significava para mim. Havia cada coleguinha em cada um deles... Impressionante como ainda permanece detalhes disso tudo, quando minha vida hoje não quer mais guardar nada em mim.


Detalhes guardados também em rosas secas, cartõezinhos de Natal, souvenir que colhia em viagens, fotografias de caretas que traziam consigo toda a alegria vivida em algum momento...


Então cheguei às minhas agendas, guardadas com carinho dentro de uma caixa branca forrada. Todas elas, um resumo de minha vida e minha estória ali. Agradeci a Deus por estar revisando cada pedacinho da minha vida, recordando imagens guardadas no inconsciente. Desde pequena que a escrita sempre fora minha janela pro mundo. Tinha uma certa teoria de que, quando crescesse, muitas coisas iriam sumir da minha mente. Como ocorreu. E, nos meus feitos e fatos marquei minha presença nesse mundo.


Hoje, quase vinte anos depois das primeiras escritas, tive saudade da ingenuidade dos meus versinhos de amor. Gostaria, de verdade, que não tivessem me tirado desse mundo de faz de contas, onde eu conseguia dormir todas as noites tranquilamente, sem a preocupação de um adulto.


Depois de tudo espalhado no chão, comecei a guardar os pedacinhos. Não consegui me desfazer de nada da minha infância, mesmo que tudo isso só ocupasse lugar desnecessariamente, como afirmava minha mãe. Pensei se teria uma outra oportunidade (quem sabe daqui a mais dez anos) para eu lembrar de tudo outra vez... Juntei, embalei, protegi dos outros todas as minhas lembranças...


E a minha parte boa ocupou apenas duas prateleiras da minha cômoda de quarto.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

UM PEDAÇO AINDA AQUI...

Roube-me o papel, mas não a idéia.
Roube-me a escrita, mas não os contornos.
Roube-me a poesia, mas não o amor que me mantém viva.

Porque preciso estar aqui, preciso estar dentro de cada ser que leva consigo minhas palavras. Tenho a função de espalhar a vida, avaliar sentimentos, cometer erros e desvendar segredos. Tenho que ser fiel aos meus princípios, tanto quanto a uma ordem lógica de sentidos.

Mas você os rouba de fora de mim, e traz sempre algo que não esperava encontrar nas linhas. Devora meus acentos, brinca com meus pingos e apaga meus pontos finais. Como ousa interferir assim?

Ainda sobra mais comigo... Ainda tenho o poder nas mãos. Nas minhas (e suas) incríveis mãos.

sábado, 27 de junho de 2009

NÃO QUERO QUE VOLTE...


O passado não é nosso amigo.

Ele nem sempre vem querendo nosso bem, incentivando-nos a continuar. Às vezes é cruel por não nos dizer somente a verdade.

Por saber tanto sobre nós, ele nos trai. Remete-nos a tempos esquecidos, arquivados seguramente na memória. Mas como um feiticeiro que sabe a hora exata de lançar sua magia, ele revive experiências marcantes. Mostra-se sem que precisemos abrir suas gavetas, nos momentos mais frágeis de nossas inseguranças.

E onde permanece a mudança? Onde estaria o elo de separação do que vivemos para o que não viveríamos hoje? Como mostrar ao passado que precisamos seguir em frente?

Confrontar certezas vividas e caminhos descalços deveria ser menos cortante. A princípio, o passado teria a função de desculpar-se pela inexperiência. Mas, sentimentos não contam na conjugação do verbo. Permanecemos sempre em suas mãos, como que a esperar por um esquecimento- baú.

Ele sabe mais de nós do que nós mesmos...

terça-feira, 9 de junho de 2009

QUERO TUDO DE TUDO.

Gire em torno de você.
Faça de mim o teu faro.
Busque sentidos vivos de tudo o que te fiz.

Semeie as minhas atitudes como (sobre)vivência.

A vida pode ser uma estrela cadente. Dite a nossa felicidade hoje, e amanhã sentirás menos culpa. Não é porque flutuamos que não conseguiremos manter os pés no chão, depende apenas de um dia perfeito.


Faça com que cheguemos perto, e mais perto, e mais perto de dentro de nós. A textura de uma pétala também compõe a sua beleza, entao por que não tocar?


Arrisque-se a sentir.
A intensidade é a única coisa que marcará nossos atos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

A CAMINHO DO CASTELO...

Aquele vestido branco era seu sonho, parado, imóvel, intocável. Reluzia seu brilho aos olhos menos sensíveis, com pérolas, e cristais a traçar sua costura. Não havia manequim embaixo dele, só o tronco servia de enchimento para o busto, assim poderia se adaptar facilmente aos diversos contornos femininos. Era simplesmente divino, tendo desse adjetivo o mais celestial e puro que havia. Era feito para uma princesa. Alguém realmente especial que, para usar aquele vestido teria que ser digna dele. Mas quem?

O vestido estava ali, sem dona, sem a essência. Mesmo com sua beleza, ainda faltava o glamour de quem o usasse.
Tinha medo de aproximar-se muito da vitrine, e ser hipnotizada por tanta brancura. Sua cauda, apoiada sobre um encosto, de tão longa, parecia um tentáculo a seduzir e encantar. Era imensa e pesada.

Cada detalhe era minuciosamente transformado. Uma sicronia perfeita de bordados e um abraço de linhas a rodear o que seriam florzinhas brancas. Mais de quatrocentas florzinhas. Na bainha, apliques de fios de prata. O decote era acentuado, e a cintura devidamente contornada. As curvas do quadril eram valorizadas, pois dali começavam os panos de seda que davam origem a saia rodada do vestido. Não havia corpo que não ficasse bonito depois de tê-lo provado.

A vitrine estava toda preparada para o sonho. Bouquet de rosas vermelhas enfeitavam a mesa de centro e pétalas caídas no chão da loja davam maior vislumbre a cor do vestido. No fundo, panos de cetim azuis escorregavam de um ponta a outra, escondendo o que seria o fundo da loja.

Uma lágrima escorreu de um dos seus olhos, quieta, e foi logo esconder-se no canto da boca. Constrangeu-se por estar tão envolvida com aquela imagem. Percebeu que não só ela animava-se com a idéia de um casamento, e ouviu suspiros ao lado. Mas, não quis quebrar aquela sensação de conto de fadas. Qualquer olhar atravessado a faria desacreditar de que ele estava ali.

De fato, aquilo seria o sonho de sua vida. Quanto imaginara aquele dia, aquele momento de perfeição... Imaginava quem poderia trazer-lhe tal felicidade. Quem poderia ser tão especial a pedir-te em casamento. Sim, ela, como a maioria das mulheres, queria casar. Queria ter um homem que a amasse, que a desejasse mais do que a solteirice e seus prazeres solitários. Desde pequena idealizava esse dia. E, a cada festa de casamento que participava, ficava a sonhar quando seria sua vez... Ainda estava nova pra casar, de certo, mas será que o faria?

...

Nos seus olhos viu-se entrando na igreja. Os flashes a disparar, clareando sua visão por instantes. De longe, o som mágico do piano, que conduz mundos e os leva para a união. Sorrisos, lágrimas e felicidade. Como ela desejava aquilo! Um passo atrás do outro, no caminho para os braços daquele homem, que ela entregaria sua vida e sua paz. Trocas de aliança e a certeza que, de alguma forma, ela tinha encontrado o amor. Um amor forte, corajoso, decidido, que a assumiria a todos, como o cristal mais valioso que possuía.

...

"Posso te ajudar?"-Interrompeu-a do sonho a vendedora, que já devia observar a tempos. Envergonhada por não ter o coração preenchido pela certeza, abriu a boca, como a falar. Mas, em seguida recuou e afastou-se. Sentiu-se incapaz de passar por ali novamente. Ela evitaria aquele vestido de noiva... Evitaria encará-lo e lembrar de quantas tentativas de ser feliz passaram por si.

O vestido permaneceu ali, para tirar o suspiro de quem mais acreditasse em finais felizes...

domingo, 17 de maio de 2009

VIAGEM

Ela está partindo...

Em cada detalhe percebe sua despedida. Não quer ir embora, mas, como adiar a obra do destino? Tudo está traçado. Definitivamente, traçado. A hora de chegar, a hora de partir.

Despede-se quando vai dormir, e ao nascer do sol. Deixa as malas prontas, sempre. Só resta saber em qual deixará seus sorrisos, seu olhar de sono e seu amor sem interesse. Não sabe a hora, mas sabe que a passagem já está comprada.

E as vésperas machucam a quem fica. Percebe-se em cada canto que já não é mais a mesma. Seus traços de personalidade vão desgrudando-se com o esquecimento. Tudo que era devidamente importante perde sua força. Sua memória, ora tão fortemente presente na rotina, hoje vai falhando, falhando...

O tempo está agindo contra. Ele está levando quem se ama, como uma folha ao vento, sem nem consultar. Traiçoeiro! Como pode separar rapidamente quem ele uniu com tantas expectativas?

As lágrimas da partida são mais dolorosas, porque seguem da incerteza, das contradições de espaço. Há sempre alguém que fica. Há sempre alguém que muda. Há sempre alguém que chora...

quinta-feira, 7 de maio de 2009

MUTAÇÃO

E lá estava ela, saindo de um casulo escuro e solitário rumo ao aquecedor de corações...
Com gestos delicados ela rompe o conforto que a abrigou durante algum tempo. Parecia saber que a escuridão que, ali havia, era dolorosa, mas não eterna.

Equilibrando-se, pôs-se a desafiar o vento, que balançava o galho fino da pequena goiabeira. Suas asas ainda dobravam-se a cada sopro frio. Temia que a claridade a deixasse tão exposta aos seus devaneios quanto nua em seu calor rotineiro de início de manhã. Esticando-se, sentiu sua vida mudar. Sabia que aquilo era o destino guiando-te rumo ao horizonte.

Em passos miúdos colocou-se à prova. Esguia e pensativa, fixou seu olhar em um único ponto que a chamava para voar. De certo, haviam mil motivos para se restringir. Nunca fora fácil olhar a luz em um ângulo tão desafiador. Em seu galho, tudo seria mais confortável e calmo. Mas, permaneceria ali tendo asas?

Arriscou-se em pequenos vôos. No início, até uma rajada mais fraca a colocava em dúvida. Ia e vinha, como que unindo uma teia de passado e futuro. Quão difícil é acreditar em nós, mesmo com asas maiores do que nosso corpo!!!

Já no meio do dia, encarava-se liberta. A sensação de poder era melhor que qualquer outra angústia que aquele novo mundo possuía. E, com passos de balé, ela aproveitava as cores de suas asas para exibir-se na natureza, rodopiando, sentindo-se agora parte integrante de uma grande festa feliz, onde todos a admiravam pela transformação.

Já permanecia mais próxima da luz. Atrás, pontos pequeninos de partida, onde não mais se apoiaria quando estivesse medo. Ela aprendera a voar sozinha...

Sentia-se aliviada. Mesmo que a luz ficasse mais intensa a cada subida, ela conseguia fechar os olhos e ir além.